A NATAÇÃO PARA AUTISTAS

O que você pensa quando ouve falar em autismo? Se você tem uma imagem pronta sobre o que é ser autista, muito cuidado: Esse transtorno é amplo, reúne uma série de características, se manifesta em diferentes graus e maneiras diversas. A natação reúne múltiplos benefícios que são capazes de atender a vários déficits no desenvolvimento que um autista pode apresentar.

Quer saber como isso é possível? Vamos começar entendendo melhor sobre o transtorno:



O QUE É?

O autismo é uma condição de saúde que pode trazer prejuízos em três áreas do desenvolvimento: habilidade socioemocionais, atenção compartilhada e linguagem. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) - nome técnico - costuma reunir uma série de características que envolvem dificuldades em habilidades sociais, comportamentos repetitivos, fala e comunicação não-verbal, mas também apresenta diferenças únicas em cada portador. O termo “espectro” é utilizado para este transtorno justamente por reunir uma ampla variação nos desafios e pontos fortes em cada pessoa com autismo, havendo vários tipos e níveis dentro do TEA.


DADOS

A ONU (Organização das Nações Unidas) considera a estimativa global de que aproximadamente 1% da população pode ter autismo no mundo. Já o cálculo da OMS (Organização Mundial da Saúde) avalia que uma em cada 160 crianças no mundo é autista. No Brasil estima-se que haja 2 milhões de autistas, mas ainda não há estatísticas precisas sobre este número. O Censo do IBGE que está sendo realizado em 2020 passou a incluir autistas, então, nos próximos anos teremos informações mais exatas a respeito. Outro ponto a se destacar é a maior ocorrência entre meninos, sendo que a há 4 meninos para cada 1 menina com TEA.


CARACTERÍSTICAS

Os autistas podem possuir limitações na parte cognitiva, motora social e vocalização. Entre as características mais habituais identificada nas crianças, estão:

  • Reversão ao toque;

  • Dificuldade em manter o contato visual por mais de 2 segundos;

  • Não costuma de sorrir ou corresponder a sorrisos;

  • Não atende quando chamado pelo nome;

  • Tem incômodos com alguns barulhos e texturas;

  • Atraso no desenvolvimento da linguagem verbal e não verbal (ex. Não falar ou não fazer gestos para mostrar algo);

  • Faz movimentos repetitivos com o corpo ou objetos;

  • Não brinca com brinquedos de forma convencional;

  • Costuma alinhar objetos;

  • Dificuldade na coordenação motora;

  • Não compartilha emoções;

  • Isola-se ou não se interessa por outras crianças;

  • Fica preso a rotinas a ponto de entrar em crise;

Alguns autistas podem apresentar dificuldade de aprendizado, falta de atenção e estar associado a outras condições, como síndrome de déficit de atenção e hiperatividade, dislexia ou displasia. Também é possível que apresentem um interesse restrito ou hiperfoco, reunindo uma enorme quantidade de informações e, às vezes, tornando-se até geniais no assunto de seu desejo.


CAUSAS

A origem do autismo se deve a diversos fatores, englobando a relação de fatores genéticos, neurológicos e ambientais. Um estudo recente “sugere que 97% a 99% dos casos têm causa genética, sendo 81% hereditário. O trabalho científico, com 2 milhões de indivíduos, de cinco países diferentes, sugere ainda que de 18% a 20% dos casos tem causa genética somática (não hereditária). E o restante, aproximadamente de 1% a 3%, devem ter causas ambientais, pela exposição de agentes intrauterinos — como drogas, infecções, trauma durante a gestação.” [Tismoo.us]


DIAGNÓSTICO

Os sinais típicos do transtorno podem ser observados antes dos 3 anos de idade, sendo possível diagnosticar por volta dos 18 meses em casos mais acentuados. Quanto mais cedo é identificado sinais do TEA, melhor, pois é possível estimular as potencialidades e auxiliar no desenvolvimento de formas adaptativas de comunicação e interação.


O diagnóstico do autismo é essencialmente clínico, os especialistas médicos que têm mais experiência com tal área são os psiquiatras infantis ou neuropediatras. Não há testes genéticos específicos para identificar autismo, mas alguns exames podem ser recomendados para apoiar o diagnóstico.


TRATAMENTO

O tratamento para autismo é amplo, assim como o transtorno, devendo ser adequado a cada caso seguindo as recomendações do especialista. Normalmente envolve acompanhamento psicológico com terapia comportamental, mas pode contar com uma equipe interdisciplinar, com intervenções de fonoaudiologia, psiquiatria, neurologia, fisioterapia, entre outros profissionais. O TEA permanece durante a vida adulta, mas os benefícios do tratamento são grandes, melhorando o desenvolvimento e a qualidade de vida da pessoa.


BENEFÍCIOS DA NATAÇÃO


A natação costuma ser indicada para crianças com TEA como tratamento complementar de reabilitação física e mental. Esta atividade desenvolve um trabalho corporal completo, possuindo uma série de estímulos e desenvolvimentos necessários à pessoa autista. Além disso, pode trazer importantes progressos cognitivos, comportamentais e sociais que contribuem para qualidade de vida. Veja os principais benefícios desse esporte:


DESENVOLVIMENTO MOTOR: A prática da natação auxilia no desenvolvimento motor, melhorando a coordenação física, o equilíbrio, a lateralidade, a postura, o ritmo, a flexibilidade, a orientação espacial e o tônus muscular. Mesmo em casos mais acentuados, o movimento dos nados é benéfico como forma de reabilitação e desenvolvimento do andar. Outro ponto a se destacar é que o avanço da consciência corporal contribui também para a auto-aceitação. Esse aprendizado se torna possível na natação por meio de técnicas motoras realizadas de maneira lúdica, aliada a habilidade do professor de desenvolver a comunicação adequada a criança.


INDEPENDÊNCIA E CONFIANÇA: A vivência de atividades novas ajuda a criança a ganhar confiança na resolução de problemas, além disso, ao se adaptar ao ambiente aquático e aprender a se deslocar pela piscina, o pequeno conquista uma certa independência na água. Esses aprendizados são refletidos em seu cotidiano e melhoram a forma como o autista encara seus desafios.


RELAXAMENTO - Crianças com TEA costumam sofrer com os estímulos táteis, auditivos e visuais do ambiente. Porém, quando estão dentro dentro d’água essa sensibilidade é interrompida momentaneamente, acalmando-as. Somado a isso, as propriedades da água e do exercício realizado contribuem para o relaxamento muscular e alívio do estresse.


COGNITIVO: A natação ajuda no desenvolvimento cognitivo, melhorando a memória, o raciocínio, a atenção e concentração.


SOCIALIZAÇÃO: O contato da criança com a piscina, os colegas e com o professor, ajuda a trabalhar a socialização, a afetividade, a autoconfiança e a criatividade. Como é comum o isolamento em autistas, conduzir essa socialização num ambiente confortável e conduzido pode ser muito benéfico.


SEGURANÇA AQUÁTICA: Segundo levantamento publicado pela Associação Nacional do Autismo, nos Estados Unidos, o risco de morte por afogamento com a população autista é duas vezes maior que o da população em geral. Isso acontece porque pessoas com TEA preferem o isolamento não possuem uma noção clara do perigo. Nesse sentido, o aprendizado da natação para a segurança aquática é essencial para a prevenção de riscos.


É importante lembrar que cada criança autista tem características próprias e únicas, por isso, o aprendizado da natação deve ser adequado às suas necessidades. Algumas requerem atenção exclusiva, outras têm maiores benefícios ao interagir com outras crianças numa turma, há ainda aquelas que precisam realizar um período de adaptação personalizada para em seguida prosseguir com uma turminha. É essencial avaliar a cada caso para realizar uma abordagem com estímulos adequados a suas características, linguagem e objetivos. Tal avaliação deve ser realizada por um profissional de natação capacitado e qualificado para tal, levando em consideração aspectos físico-motores, cognitivos e comportamentais, por meio de diálogo com familiares, observação e histórico de tratamento com as diversas especialidades.


FONTES:


AMA - Associação de amigos do autista - Definição, Diagnóstico e Tratamento.

IESP - Benefícios da Natação para Crianças Autistas.

METODOLOGIA GUSTAVO BORGES - Como a Natação pode ajudar crianças com transtorno do espectro autista.

REVISTA AUTISMO - Quantos autistas há no Brasil?

TISMOO - O que é Autismo ou Transtorno do Espectro Autista (TEA).


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